18.2.15

Mas blog pessoal? Pra quê?

Se vc pode postar o que quiser no Facebook?

Não é a mesma coisa. O Face é uma rede social, onde vc tem um perfil e não compartilha tudo com todo mundo. Alguns conteúdos, só pros amigos. Outros, só pra um de cada vez. E seleciona quem são seus "amigos", agrupa-os, os hierarquiza. 
ICQ, MSN, Orkut: a Internet já coleciona lápides. Mas o blog vive!

O blog é aberto: digitou ou acessou o link, entrou. E viu tudo. Diferença sensível para mim, que uso o espaço não pra publicar intimidades, mas para compartilhar reflexões, dicas, experiências marcantes, pontos de vista, sugestões e por aí. E não somente pros camaradas.

Em sendo "um livro digital" aberto, qualquer post é facilmente recuperado. Mesmo que conste nos primórdios dos arquivos. Outra vantagem: poder resgatar postagens, o que é bem mais trabalhoso no FB, bem como no Twitter, que uso até mais do que o blog, mas mais para me informar e compartilhar sobre temas de interesse.

Claro que é muito mais difícil ter engajamentos no blog do que no Facebook, onde basta um clique pra curtir e dois pra comentar e compartilhar. O blog pede um mini-cadastro, e deixa o comment oculto, lá no pé da postagem, sem fotinha e talz. Bem menos atraente, como é hoje o que foi pop no passado da web (sim, os anos 1990-2000 já são os tempos antigos da rede...)

Só que o objetivo aqui é muito mais se expressar e registrar "para sempre" do que ser popular. Então dá-lhe bológue!

10.2.15

O corpo é teu, faz o que tu queres

Uma sociedade tão conservadora, como a brasileira, deixa de abordar e discutir abertamente, para todo mundo ouvir e participar, temas que incomodam os grupos dominantes, justamente por esses e a maioria do seu séquito serem conservadores. Pior do que preservar esse status quo, ao deixar de falar de assuntos ditos polêmicos, nosso país mantém minorias e grupos "alternativos" em silêncio, no medo de se expressar para todos verem, omitindo e mentindo sobre si próprios em nome da aceitação social. Não podem ser como são, nas escolhas e comportamentos mais pessoais, porque causariam vergonha à multidão. Não têm direito, portanto, a assumir o chamado da própria intimidade. Absurdo, não?

Vc viu, por exemplo, os candidatos das últimas eleições, ou algum representante do povo no poder, abrindo o debate e nos chamando a refletir sobre assuntos relevantes, que tocam a todos de alguma forma, porque existem e sempre vão existir, como legalização das drogas, descriminalização do aborto, casamento homossexual? Claro que não. Experimente dizer que apoia ou se beneficia dessas três medidas. Vão te acusar, ofender, execrar, daí pra violências maiores...

Felizmente nós podemos dizer o que pensamos nos espaços democráticos de que dispomos, como este blog. E é por isso que aqui eu digo o que escrevi nas linhas abaixo, para que, tomara, quem me lê se sinta encorajado a fazer o mesmo (com aquilo que concorde, é claro), e assim a utopia de uma sociedade mais inclusiva, respeitosa e libertária seja algo menos utópico. Ou mais humano.

Veja bem, o que está abaixo é apenas o que eu defendo, e não o que vigora, lamentavelmente:

O que quiser fazer com teu corpo e tua mente, sendo consciente, é problema só teu. Desde que não cause dano a outrem, direta ou indiretamente, ninguém tem o direito de te impedir. Podemos condenar tuas escolhas, tentar te dissuadir, mas te coagir ou punir, jamais. Nem eu ou qualquer autoridade constituída (família, governo, polícia, juiz, religião, etc etc).

Quer abrir mão do casamento? Tranquilo. Quer ter um casamento homossexual? Também. Quer se casar (ou simplesmente viver) poligamicamente, com relacionamentos íntimos em grupo, experienciando o poliamor? Claro que pode (qual o crime? Se teus parceiros concordam, nem traição é).

Casou-se (mesmo que sem oficializar - o que também é legal) e não quer ter filhos, nem animais, nem plantas, nem casa própria? Fica à vontade! (também dá pra ser muito feliz assim). Ou optou por ter filhos, animais, plantas, casa e carro compartilhado com seu parceiro, sem se casarem? Totalmente OK!

Engravidou de forma indesejada? Aborta o feto, pois o corpo é teu. Não precisa correr riscos buscando a clandestinidade: não és uma assassina, e mesmo que discordem de ti, nada podem fazer além disso.

Quer se drogar em menor ou maior grau? O problema é teu (eu nunca nem me embriaguei, então dificilmente vou te encorajar. Mas nunca impedir). Prostituir-se? Idem. Não são casos de prisão ou de incentivo ao crime organizado.

Em relação a tua individualidade, eu diria "faz o que tu queres, pois é tudo da lei, da leeei!", parafraseando Raul Seixas em sua Sociedade Alternativa. (aliás, eu já tinha postado sobre ele e sua proposta de contramão lá em 2007). Pena que seja preciso uma alternativa de sociedade para gozarmos de tamanhas liberdades. Que na verdade, são apenas direitos!

Fui alternativo demais? Muito radical e na contramão "do mundo"? Lembro que o jornalista mais admirado do país em 2014, principalmente porque diz verdades incômodas pra quem quiser ouvir, pensa parecido... Pensa bem antes de julgar!

Sou humano e humanista, só.

(A entrevista completa do jornalista Ricardo Boechat, cujo extrato relacionei em link acima, pode ser assistida aqui)

3.2.15

Li e recomendo: Crime e Castigo

Pra quem conhece o básico de literatura, pode parecer chover no molhado eu vir aqui recomendar esse clássico de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Afinal, o livro é tido como um dos maiores da história da literatura UNIVERSAL.

Mas depois de ler, é outra coisa, por mais referência ao escritor russo que a gente veja por aí.

Crime e Castigo deve ser a obra mais famosa de Fiódor no Brasil, ou talvez uma das duas mais populares, ao lado de Os Irmãos Karamázov (que pretendo ler também). E realmente impacta.

A densa trama psicológica do protagonista te enreda de uma maneira que vc passa a viajar junto com Ródia nos seus devaneios, seu vai-não vai, sua perambulação sem rotina, sem norte, sem saber quando é a hora de confessar totalmente seu crime, mesmo que não o considere um crime.

De repente mergulhamos na marginalidade da São Petersburgo de meados do século 19 e rodamos sem parar com Raskolnikov, conduzidos pela genialidade do autor. Se deixe levar: a experiência é bem demorada, porém profícua.